Já fui visto. Inclusive até chegaram a me notar. Alguns ao ponto de perguntar por eu onde estava. Já fui compreendido. Teve aqueles que também sentiram a minha falta e por pouco não ligaram. Tenho quase plena certeza de que sentem, ou sentiram, minha ausência absoluta. Eu me lembro muito bem de alguns, entre eles, que até riram ao mesmo tempo em que eu ria. Segundos após de termos a mais repleta convicção de que não fazíamos a menor ideia do porquê estávamos rindo. Mas fizemos isso, não foi apenas eu. Está tudo bem. Todo homem é uma solitária multidão. Todos os meus demônios já são velhos conhecidos. Todos os monstros debaixo da cama no escuro caducaram. Resmungam, roncam, peidam mas não chegam mesmo sequer a assustar. Só preciso sossegar esse redemoinho de vento alheio que de tempos em tempos revira essas páginas dentro de mim. Vou lavar todas as manchas de mágoa e pô-las pra secar. Evaporarão. Então, vou me acalmar em voo leve. Breve. Já fui perturbado por demais nessa vida.
Pode entrar, a casa é toda sua.
Só não repara a bagunça. 

Já fui visto. Inclusive até chegaram a me notar. Alguns ao ponto de perguntar por eu onde estava. Já fui compreendido. Teve aqueles que também sentiram a minha falta e por pouco não ligaram. Tenho quase plena certeza de que sentem, ou sentiram, minha ausência absoluta. Eu me lembro muito bem de alguns, entre eles, que até riram ao mesmo tempo em que eu ria. Segundos após de termos a mais repleta convicção de que não fazíamos a menor ideia do porquê estávamos rindo. Mas fizemos isso, não foi apenas eu. Está tudo bem. Todo homem é uma solitária multidão. Todos os meus demônios já são velhos conhecidos. Todos os monstros debaixo da cama no escuro caducaram. Resmungam, roncam, peidam mas não chegam mesmo sequer a assustar. Só preciso sossegar esse redemoinho de vento alheio que de tempos em tempos revira essas páginas dentro de mim. Vou lavar todas as manchas de mágoa e pô-las pra secar. Evaporarão. Então, vou me acalmar em voo leve. Breve. Já fui perturbado por demais nessa vida.

Pode entrar, a casa é toda sua.

Só não repara a bagunça. 

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O tempo não cura nada. O que cura é Merthiolate. O tempo alivia, feito estar carregando uma sacola pesada num ombro e muda-se de lado. O peso é o mesmo. Indiferentes a isso, o Sol sempre vai nascer e o oceano sempre vai salgar sua boca. Com indiferença de volta, não se importe, você é quem importa. Dirigir em ruas solitárias acalma. Aprender a dirigir, não. Sempre haverá uma música começando a tocar. Os livros sempre vão terminar. Alguns, com finais felizes. Os pássaros ainda vão voar para o sul. Não perca seu norte. Portas fechadas podem ser abertas. Os olhos são a janela da alma, mas não tente passar por elas, você pode se machucar. Se isso acontecer, já sabe, Merthiolate. Às vezes, só isso não basta. As algas marinhas produzem 90% do oxigênio da Terra. Você produz gás carbônico. As plantas, fotossíntese. Estrelas morrem e nascem todo dia. O Sol ainda arde.
Nunca é muito tarde.
Eu te amaria.

O tempo não cura nada. O que cura é Merthiolate. O tempo alivia, feito estar carregando uma sacola pesada num ombro e muda-se de lado. O peso é o mesmo. Indiferentes a isso, o Sol sempre vai nascer e o oceano sempre vai salgar sua boca. Com indiferença de volta, não se importe, você é quem importa. Dirigir em ruas solitárias acalma. Aprender a dirigir, não. Sempre haverá uma música começando a tocar. Os livros sempre vão terminar. Alguns, com finais felizes. Os pássaros ainda vão voar para o sul. Não perca seu norte. Portas fechadas podem ser abertas. Os olhos são a janela da alma, mas não tente passar por elas, você pode se machucar. Se isso acontecer, já sabe, Merthiolate. Às vezes, só isso não basta. As algas marinhas produzem 90% do oxigênio da Terra. Você produz gás carbônico. As plantas, fotossíntese. Estrelas morrem e nascem todo dia. O Sol ainda arde.

Nunca é muito tarde.

Eu te amaria.

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Perdoo os desafetos porque nem me lembro deles. Não perdoo os afetos porque não consigo esquecê-los.

Perdoo os desafetos porque nem me lembro deles. Não perdoo os afetos porque não consigo esquecê-los.

Tags #romance    #eu    #uns textos   

Muita ironia ser míope e gostar de quem só está longe. Talvez seja esse o amor apropriado, ninguém se toca ou fica próximo, porque nada se troca, nada dá errado. 

Muita ironia ser míope e gostar de quem só está longe. Talvez seja esse o amor apropriado, ninguém se toca ou fica próximo, porque nada se troca, nada dá errado. 

De tudo aquilo que posso, eu amo, odeio, me frustro e me decepciono, entro em euforia e depressão, enquanto sei que a vida é incrível e a opinião alheia, lenda.
E não espero mesmo que idiotas entendam.
Eu vivo sem ensaio.

De tudo aquilo que posso, eu amo, odeio, me frustro e me decepciono, entro em euforia e depressão, enquanto sei que a vida é incrível e a opinião alheia, lenda.

E não espero mesmo que idiotas entendam.

Eu vivo sem ensaio.

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Máquinas cansam.

Máquinas cansam.

Eu e meu coração estamos em paz. A questão é a membrana que o envolve. É feita de névoa, densa. Não pensa. Ele quer ficar e dizer “sim”. E ser feliz até o fim. Ela, obscura, não entende. E quer ir embora.
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……
…
E evapora.

Eu e meu coração estamos em paz. A questão é a membrana que o envolve. É feita de névoa, densa. Não pensa. Ele quer ficar e dizer “sim”. E ser feliz até o fim. Ela, obscura, não entende. E quer ir embora.

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E evapora.

Eu tenho razões exatas pra estar triste. Já felicidade é uma inequação de bolha de sabão. Querendo ficar perto do fogo. Tristeza é um concreto plantado no meio do caminho pelo destino. De nada adianta removê-lo com afeto contente por mim mesmo. Eu não sei nada do jogo. Meu desejo é um rio por demais comprido. Minha vontade é uma canoa furada. Eu grito pro nada. O nada volta feito um bumerangue. Meus pensamentos são uma gangue. Minhas ações não me ouvem, como não são se cumprem as ordens de uma madre.
Mas nesse convento onde busco me tornar quem sou,
Do qual eu sempre saio de onde nunca parto.
Estamos eu, tentando hastear algumas velas neste quarto,
um remo de segunda mão,
os mais catatônicos da gangue, 
uns bumerangues assoprando de fato velas já apagadas, 
e o nada.

Eu tenho razões exatas pra estar triste. Já felicidade é uma inequação de bolha de sabão. Querendo ficar perto do fogo. Tristeza é um concreto plantado no meio do caminho pelo destino. De nada adianta removê-lo com afeto contente por mim mesmo. Eu não sei nada do jogo. Meu desejo é um rio por demais comprido. Minha vontade é uma canoa furada. Eu grito pro nada. O nada volta feito um bumerangue. Meus pensamentos são uma gangue. Minhas ações não me ouvem, como não são se cumprem as ordens de uma madre.

Mas nesse convento onde busco me tornar quem sou,

Do qual eu sempre saio de onde nunca parto.

Estamos eu, tentando hastear algumas velas neste quarto,

um remo de segunda mão,

os mais catatônicos da gangue, 

uns bumerangues assoprando de fato velas já apagadas, 

e o nada.

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Estava muito cansado.
Tinha tido uma noite mal dormida, trabalhado o dia inteiro, e ainda tinha que fazer compras. Supermercados são labirintos. Quando finalmente saí, 5 da tarde, estava garoando. Não havia um só táxi à vista. Saí caminhando, após ter conseguido colocar fones de ouvido, segurando sacolas em meio à ventania.
Gosto de andar ouvindo música. Gosto de andar rápido. Parece que meus pensamentos ficam com a minha sombra, atrás de mim, me deixam em paz para não pensar, apenas andar.
Rápido.
Foi então que percebi que as sacolas agora eram obeliscos depois de 20 minutos, que até a música tinha ficado pra trás há 3. Os pensamentos ainda dobravam a esquina. Mais na frente havia um banco, uma proteção contra a agora chuva e não havia ninguém ali. Sentei no ponto de ônibus certo de que tudo, absolutamente tudo, estava errado. 
Nunca há ninguém em lugar algum.
Tudo estando errado, resolvi que iria deitar ali mesmo. Só 5 minutos, eu dormiria. Acordaria quando estivesse pronto. Foi quando olhei pra cima e as gotas da chuva eram todas coloridas, iluminadas pela clara esperança tola de um só poste. Elas caíam por entre as folhas de uma árvore ao lado dele. Tudo, que estava errado, fez sentido por breves 5 segundos de beleza rara. Não estando certo, eu seria capaz de conhecer o que poderia ser belo, ainda que breve. As folhas deixavam a chuva passar. Se retivessem a água, não beberiam, esperariam evaporar. Seria até divertido aos ninhos que havia aqui e ali.
Bastasse que eu me esquecesse de mim, não seria afetado pela gigantesca tristeza que carregava, não mais em meus braços, mas em tudo que eu estava sendo naquele momento. Música, sacolas e sombra encharcadas. Mesmo a solidão, sempre tão compreensível quando opinava, desta vez insuportavelmente calada.
Um ônibus parou bem na minha frente, surgido do nada. Abriu as portas. Subi. O trocador perguntou alguma coisa, algo como se eu tinha trocado. Olha, se pudesse, eu teria trocado há muito tempo. Ainda não sei quem deu sinal pra que o ônibus parasse. Desconfio que tenha sido a solidão, saída de sua mudez, ela deve ter gritado, “pára!”
Mas eu gosto de andar rápido nesse imenso labirinto no qual se transformou a minha vida. Da qual bebo sôfrego, não tenho deixado evaporar. Não sei parar. Sei que devo. Não tenho tantos galhos assim pra me proteger. 
E ninho, nunca fui, nem sei ser.

Estava muito cansado.

Tinha tido uma noite mal dormida, trabalhado o dia inteiro, e ainda tinha que fazer compras. Supermercados são labirintos. Quando finalmente saí, 5 da tarde, estava garoando. Não havia um só táxi à vista. Saí caminhando, após ter conseguido colocar fones de ouvido, segurando sacolas em meio à ventania.

Gosto de andar ouvindo música. Gosto de andar rápido. Parece que meus pensamentos ficam com a minha sombra, atrás de mim, me deixam em paz para não pensar, apenas andar.

Rápido.

Foi então que percebi que as sacolas agora eram obeliscos depois de 20 minutos, que até a música tinha ficado pra trás há 3. Os pensamentos ainda dobravam a esquina. Mais na frente havia um banco, uma proteção contra a agora chuva e não havia ninguém ali. Sentei no ponto de ônibus certo de que tudo, absolutamente tudo, estava errado. 

Nunca há ninguém em lugar algum.

Tudo estando errado, resolvi que iria deitar ali mesmo. Só 5 minutos, eu dormiria. Acordaria quando estivesse pronto. Foi quando olhei pra cima e as gotas da chuva eram todas coloridas, iluminadas pela clara esperança tola de um só poste. Elas caíam por entre as folhas de uma árvore ao lado dele. Tudo, que estava errado, fez sentido por breves 5 segundos de beleza rara. Não estando certo, eu seria capaz de conhecer o que poderia ser belo, ainda que breve. As folhas deixavam a chuva passar. Se retivessem a água, não beberiam, esperariam evaporar. Seria até divertido aos ninhos que havia aqui e ali.

Bastasse que eu me esquecesse de mim, não seria afetado pela gigantesca tristeza que carregava, não mais em meus braços, mas em tudo que eu estava sendo naquele momento. Música, sacolas e sombra encharcadas. Mesmo a solidão, sempre tão compreensível quando opinava, desta vez insuportavelmente calada.

Um ônibus parou bem na minha frente, surgido do nada. Abriu as portas. Subi. O trocador perguntou alguma coisa, algo como se eu tinha trocado. Olha, se pudesse, eu teria trocado há muito tempo. Ainda não sei quem deu sinal pra que o ônibus parasse. Desconfio que tenha sido a solidão, saída de sua mudez, ela deve ter gritado, “pára!”

Mas eu gosto de andar rápido nesse imenso labirinto no qual se transformou a minha vida. Da qual bebo sôfrego, não tenho deixado evaporar. Não sei parar. Sei que devo. Não tenho tantos galhos assim pra me proteger. 

E ninho, nunca fui, nem sei ser.

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O destino é incrível.
Ele fala, mas não compreende. Ele faz o que bem entende. Ele sempre te dá uma resposta, mesmo quando tudo o que você quer ouvir é silêncio. Você faz pedidos, ele manda dizer que não é todo ouvidos. Você tenta negociar com ele, faz o que pode. Ele, se não estiver a fim, nem tchum. Mas se decidir, te move, te comove, mesmo que você não aprove. E quase sempre ele vai estar certo.
A questão é que a gente fica sempre meio longe da gente mesmo na maior parte do tempo.
Chegamos ao ponto. O destino, ele, tem relógio particular, faz a sua própria lei, anda conforme suas horas. E seus ponteiros, às vezes, se atrasam, ainda que você ache que não. E quase sempre, esses mesmos ponteiros são flechas apontadas pro seu peito. O destino, com ele, não tem jeito. Ou se aceita, ou se ajeita, ou se conforma, ou se rejeita. Mas é impossível não sentir seu efeito. E quase, quase, quase sempre, não é aquilo que você gostaria de guardar no calendário que muda só as datas, nem sempre os dias, escondido em algum lugar aí do seu desejo.
O destino é incompreensível.

O destino é incrível.

Ele fala, mas não compreende. Ele faz o que bem entende. Ele sempre te dá uma resposta, mesmo quando tudo o que você quer ouvir é silêncio. Você faz pedidos, ele manda dizer que não é todo ouvidos. Você tenta negociar com ele, faz o que pode. Ele, se não estiver a fim, nem tchum. Mas se decidir, te move, te comove, mesmo que você não aprove. E quase sempre ele vai estar certo.

A questão é que a gente fica sempre meio longe da gente mesmo na maior parte do tempo.

Chegamos ao ponto. O destino, ele, tem relógio particular, faz a sua própria lei, anda conforme suas horas. E seus ponteiros, às vezes, se atrasam, ainda que você ache que não. E quase sempre, esses mesmos ponteiros são flechas apontadas pro seu peito. O destino, com ele, não tem jeito. Ou se aceita, ou se ajeita, ou se conforma, ou se rejeita. Mas é impossível não sentir seu efeito. E quase, quase, quase sempre, não é aquilo que você gostaria de guardar no calendário que muda só as datas, nem sempre os dias, escondido em algum lugar aí do seu desejo.

O destino é incompreensível.

Os dias passam rápido. Sou uma completa profusão de confusos sentimentos lentos. Preciso voltar a ensinar a mim mesmo como é a sensação de não se importar. Voltar ao que sempre foi. Breve por inexistir. Há sempre algo solitário demais em mim. Porém a satisfação é minha por poder escrever. E me imaginar liberto. Ser lido é quase não importante. É como se só eu pudesse saborear antes esse instante de nascimento das letras em palavras em frases em algum sentido que se fazem. Pensei que, se consigo mentir tão bem pra mim mesmo, mentir para terceiros seria fácil. Em vão. Eles vão ler depois que já escrevi. Desta vez, não consigo me enganar. Assim que eles entendem, esse sentido não é dito a mim, essa é a verdade. É como se esse texto me aprisionasse no conceito alheio a cada vez que fosse lido. O deleite é meu por conseguir me expressar. O desgosto é minha sentença porque o outro pode vir a pretender ter entendido. O que seu olho viu é minha cela, de portas de vento e grades de nuvem. Preciso desistir de ensinar a mim mesmo como é a sensação de se importar. Sou uma vaga profusão de exatos sentimentos rápidos. Os dias passam lentos.
Silêncio, alguém ainda está lendo. 
“Dentro de mim mora um grito. De noite, ele sai com suas garras, à caça de algo para amar.” Sylvia Plath

Os dias passam rápido. Sou uma completa profusão de confusos sentimentos lentos. Preciso voltar a ensinar a mim mesmo como é a sensação de não se importar. Voltar ao que sempre foi. Breve por inexistir. Há sempre algo solitário demais em mim. Porém a satisfação é minha por poder escrever. E me imaginar liberto. Ser lido é quase não importante. É como se só eu pudesse saborear antes esse instante de nascimento das letras em palavras em frases em algum sentido que se fazem. Pensei que, se consigo mentir tão bem pra mim mesmo, mentir para terceiros seria fácil. Em vão. Eles vão ler depois que já escrevi. Desta vez, não consigo me enganar. Assim que eles entendem, esse sentido não é dito a mim, essa é a verdade. É como se esse texto me aprisionasse no conceito alheio a cada vez que fosse lido. O deleite é meu por conseguir me expressar. O desgosto é minha sentença porque o outro pode vir a pretender ter entendido. O que seu olho viu é minha cela, de portas de vento e grades de nuvem. Preciso desistir de ensinar a mim mesmo como é a sensação de se importar. Sou uma vaga profusão de exatos sentimentos rápidos. Os dias passam lentos.

Silêncio, alguém ainda está lendo. 

“Dentro de mim mora um grito. De noite, ele sai com suas garras, à caça de algo para amar.” Sylvia Plath

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Não ser hétero não é fácil. Todo mundo sabe. Um garoto negro, por exemplo, se for chamado de “macaco” na rua, quando chega em casa, recebe apoio dos pais. Um garoto gay, chamado de “viadinho” nas ruas, quando conta pros pais, pode muito bem ouvir um “bem feito, por que não vira homem?” Geralmente, aos berros. Eu tenho pavor de gente que grita comigo.
Uma vez, um médico claramente homofóbico, me disse que TODO homo tem algum tipo de problema psicológico. Também pudera, crescer ouvindo que o que você é, que não passa apenas de mais uma característica sua, não a sua totalidade, é motivo de vergonha alheia, e também sua, não é pra qualquer um. Muitos adolescentes gays, cansados de anos de descaso e desprezo, não aguentam a pressão e se matam.
Mas aí, sofremos eu, você e todo o mundo. Ser mulher hétero também não é fácil. Só eu conheço duas mulheres que, uma tem um filho do próprio pai, e a outra, do avô! O tal médico idiota se esqueceu de mencionar que todo homem hétero pode ter algum tipo de problema, como ser um monstro estuprador, por exemplo.
Acontece que alguns homos usam como desculpa, ou válvula de escape, essa opressão toda como motivo pra atazanar a vida dos outros. Do tipo, “Ah, ouvi a vida inteira que sou ‘bicha louca’, deixa eu ser então”. E dá-lhe encheção de saco. E essa neurose se manifesta das mais diversas formas, depressão comunitária - aquela que o homo TEM que lhe contar que, puxa, como ele sofre - ou uma ironia iconoclasta que dá nos nervos.
A Internet parece ser o palco predileto dessas criaturas. Cheias de coragem por terem apenas tela e teclado à frente, elas despejam seu repertório de paranoias. Um tipo em especial, aquele que te ama e por ser sofrido e, ainda assim, conseguir te amar, ainda que através do computador, ah essa pessoa TEM que ser amada de volta, correspondida, entendida, finalmente.
E as coisas não são assim. Nem na Internet, nem na vida real, nem no raio que o parta. Eu conheço gay que sofreu pra caramba pra ser o que é e nem assim se transformou numa caixa de Pandora ambulante. Porém, nos dias de hoje, o “homo sofredor” parece que virou o mais novo mártir da desesperança. E é um azar se deparar com um tipo desses.
Escrevo blogs desde 2007 e já passei por alguns infortúnios. Na maioria das vezes, tiro de letra, porque aos 42 anos, reconhecer gente pau-no-cu virou meio que um hobby. Às vezes, eles aparecem de montão, daí eu fico desanimado porque me parece que estou falando de possibilidades pra quem não quer saber delas, e sim dos seus contrários.
E é impossível ser feliz querendo trocar a sua tristeza pela tentativa do outro em querer lidar com as suas próprias mazelas. Ou trocar a sua carência obrigando o outro a lhe dar atenção. Relacionamentos sadios exigem trocas justas, não terrorismo afetivo. Pra esses, algo tipo, “I’m not your bitch, don’t hang your shit on me.” Clichêzão usar citação em inglês, ainda mais da Madonna, mas é só pra irritar de volta.
E o mundo, virtual ou não, está cheio de homos-bombas, prontos pra explodirem de raiva e levar você junto. Mas comigo isso não rola. Quem me lê sabe que falo bem tanto de amor quanto de solidão porque amo o fato de estar sozinho há tanto tempo sem perder meu amor-próprio, que a solitude não é um sintoma, é uma condição temporária. Até que minhas companhias sejam apenas isso, aquelas que participam das ocupações, das atividades, das aventuras e desventuras, ou do destino de outra pessoa, não, obrigado, tô muito bem sozinho.
Fechei a porta pra quem atrapalha. Tanto que sobra pra atrapalhar até a vida do outro. Essa porta na qual eu estou por trás não pode ser aberta com as chaves da violência sentimental. Se alguém quiser vir pro lado de cá, vai ter que entrar sem bater.

Não ser hétero não é fácil. Todo mundo sabe. Um garoto negro, por exemplo, se for chamado de “macaco” na rua, quando chega em casa, recebe apoio dos pais. Um garoto gay, chamado de “viadinho” nas ruas, quando conta pros pais, pode muito bem ouvir um “bem feito, por que não vira homem?” Geralmente, aos berros. Eu tenho pavor de gente que grita comigo.

Uma vez, um médico claramente homofóbico, me disse que TODO homo tem algum tipo de problema psicológico. Também pudera, crescer ouvindo que o que você é, que não passa apenas de mais uma característica sua, não a sua totalidade, é motivo de vergonha alheia, e também sua, não é pra qualquer um. Muitos adolescentes gays, cansados de anos de descaso e desprezo, não aguentam a pressão e se matam.

Mas aí, sofremos eu, você e todo o mundo. Ser mulher hétero também não é fácil. Só eu conheço duas mulheres que, uma tem um filho do próprio pai, e a outra, do avô! O tal médico idiota se esqueceu de mencionar que todo homem hétero pode ter algum tipo de problema, como ser um monstro estuprador, por exemplo.

Acontece que alguns homos usam como desculpa, ou válvula de escape, essa opressão toda como motivo pra atazanar a vida dos outros. Do tipo, “Ah, ouvi a vida inteira que sou ‘bicha louca’, deixa eu ser então”. E dá-lhe encheção de saco. E essa neurose se manifesta das mais diversas formas, depressão comunitária - aquela que o homo TEM que lhe contar que, puxa, como ele sofre - ou uma ironia iconoclasta que dá nos nervos.

A Internet parece ser o palco predileto dessas criaturas. Cheias de coragem por terem apenas tela e teclado à frente, elas despejam seu repertório de paranoias. Um tipo em especial, aquele que te ama e por ser sofrido e, ainda assim, conseguir te amar, ainda que através do computador, ah essa pessoa TEM que ser amada de volta, correspondida, entendida, finalmente.

E as coisas não são assim. Nem na Internet, nem na vida real, nem no raio que o parta. Eu conheço gay que sofreu pra caramba pra ser o que é e nem assim se transformou numa caixa de Pandora ambulante. Porém, nos dias de hoje, o “homo sofredor” parece que virou o mais novo mártir da desesperança. E é um azar se deparar com um tipo desses.

Escrevo blogs desde 2007 e já passei por alguns infortúnios. Na maioria das vezes, tiro de letra, porque aos 42 anos, reconhecer gente pau-no-cu virou meio que um hobby. Às vezes, eles aparecem de montão, daí eu fico desanimado porque me parece que estou falando de possibilidades pra quem não quer saber delas, e sim dos seus contrários.

E é impossível ser feliz querendo trocar a sua tristeza pela tentativa do outro em querer lidar com as suas próprias mazelas. Ou trocar a sua carência obrigando o outro a lhe dar atenção. Relacionamentos sadios exigem trocas justas, não terrorismo afetivo. Pra esses, algo tipo, “I’m not your bitch, don’t hang your shit on me.” Clichêzão usar citação em inglês, ainda mais da Madonna, mas é só pra irritar de volta.

E o mundo, virtual ou não, está cheio de homos-bombas, prontos pra explodirem de raiva e levar você junto. Mas comigo isso não rola. Quem me lê sabe que falo bem tanto de amor quanto de solidão porque amo o fato de estar sozinho há tanto tempo sem perder meu amor-próprio, que a solitude não é um sintoma, é uma condição temporária. Até que minhas companhias sejam apenas isso, aquelas que participam das ocupações, das atividades, das aventuras e desventuras, ou do destino de outra pessoa, não, obrigado, tô muito bem sozinho.

Fechei a porta pra quem atrapalha. Tanto que sobra pra atrapalhar até a vida do outro. Essa porta na qual eu estou por trás não pode ser aberta com as chaves da violência sentimental. Se alguém quiser vir pro lado de cá, vai ter que entrar sem bater.

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Adoramos ilusões. Elas são aparentadas dos sonhos, parecem que vão sempre nos agradar. Mas não se engane. Ilusões têm essa cor cinza de quando cai a tarde e uma boa noite de sono se anuncia, mas sempre que você for dormir, é um pesadelo que vai te embalar. E se você não fizer nada, o pesadelo vai te levar café na cama, esfregar suas costas, aproveitar e dar um tapinha nelas e dizer que está tudo bem.
Não, não está. O agora desse exato momento só vai ser trocado por outro agora amanhã. 

Adoramos ilusões. Elas são aparentadas dos sonhos, parecem que vão sempre nos agradar. Mas não se engane. Ilusões têm essa cor cinza de quando cai a tarde e uma boa noite de sono se anuncia, mas sempre que você for dormir, é um pesadelo que vai te embalar. E se você não fizer nada, o pesadelo vai te levar café na cama, esfregar suas costas, aproveitar e dar um tapinha nelas e dizer que está tudo bem.

Não, não está. O agora desse exato momento só vai ser trocado por outro agora amanhã. 

Nem sei quem sou porque se falo de mim, crio um conceito estático, e amanhã eu vou estar aqui, e o que eu pensava de mim talvez não. 
De fato, nem esse texto tem uma razão. Queria falar de fins, do fim do amor, do fim da amizade, do que termina. Mas seriam tantos clichês e lugares-comuns que desanimo. A questão é: sobre o pouco que sei de mim, algo que não sou é covarde a ponto de fingir que uma relação existe, quando ela não existe mais. Não importa qual relação seja familiar, amigável ou amorosa, se não a sinto viva, não me obrigo a vivê-la. 
Essa intransigência com toques de auto-complacência é a forma beligerante que encontrei de viver em paz comigo mesmo. Claro, sempre com muitos excessos de “eu, eu, eu…” É que na solidão, sou vários. Todos mentindo e falando a verdade ao mesmo tempo. E como sou um grande mentiroso, meu tempo é quem tem pernas curtas, e ele me alcança sempre e pra mim mente. Diz que seu nome é verdade, e me faz fugir de quem transformou seu desejo pela minha companhia em obrigação.
É irônico demais a palavra “adeus” ter o “a”, a primeira letra do alfabeto, os códigos que tento usar para me explicar. E não conseguir, daí entrego pra “deus”. Porque ele sendo superior, livra de mim a responsabilidade de criar uma alegria que possa ser doada. Alegria essa que se sinta tão livre, como se deus fosse, para também voltar pra mim. Ela não volta.
É esse meu grande defeito: querer viver demais e sinceramente. Desejar é muito fácil. O objeto está lá e junto de você está o que você pensa que ele é. E eu estou aqui, acompanhado da realidade, da solitude e da mentira. Mas essa pode ser mais uma grande fábula.
Ou a verdade absoluta.
Ou a solidão resoluta.

Nem sei quem sou porque se falo de mim, crio um conceito estático, e amanhã eu vou estar aqui, e o que eu pensava de mim talvez não.

De fato, nem esse texto tem uma razão. Queria falar de fins, do fim do amor, do fim da amizade, do que termina. Mas seriam tantos clichês e lugares-comuns que desanimo. A questão é: sobre o pouco que sei de mim, algo que não sou é covarde a ponto de fingir que uma relação existe, quando ela não existe mais. Não importa qual relação seja familiar, amigável ou amorosa, se não a sinto viva, não me obrigo a vivê-la. 

Essa intransigência com toques de auto-complacência é a forma beligerante que encontrei de viver em paz comigo mesmo. Claro, sempre com muitos excessos de “eu, eu, eu…” É que na solidão, sou vários. Todos mentindo e falando a verdade ao mesmo tempo. E como sou um grande mentiroso, meu tempo é quem tem pernas curtas, e ele me alcança sempre e pra mim mente. Diz que seu nome é verdade, e me faz fugir de quem transformou seu desejo pela minha companhia em obrigação.

É irônico demais a palavra “adeus” ter o “a”, a primeira letra do alfabeto, os códigos que tento usar para me explicar. E não conseguir, daí entrego pra “deus”. Porque ele sendo superior, livra de mim a responsabilidade de criar uma alegria que possa ser doada. Alegria essa que se sinta tão livre, como se deus fosse, para também voltar pra mim. Ela não volta.

É esse meu grande defeito: querer viver demais e sinceramente. Desejar é muito fácil. O objeto está lá e junto de você está o que você pensa que ele é. E eu estou aqui, acompanhado da realidade, da solitude e da mentira. Mas essa pode ser mais uma grande fábula.

Ou a verdade absoluta.

Ou a solidão resoluta.

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