Todas as empresas reclamam de falta de mão de obra qualificada. Por não terem profissionais capacitados, perdem em competitividade e qualidade. Porém, poucas são as empresas realmente interessadas em oferecer condições vantajosas para atrair os bons profissionais. Em moda, por exemplo, estilistas e, principalmente, gerentes de produto, não podem ser pessoas despreparadas, com pouca formação e informação. Você quer um dado alarmante? Muitas indústrias de moda do Brasil, e até algumas do exterior, já lançaram roupas com erros grosseiros. Desde erros de ortografia no idioma inglês ou, muito mais grave, com alusões a símbolos nazistas e terroristas. E muitos desses erros passaram desapercebidos. Provavelmente, você já deve ter visto ou usado alguma roupa assim. Isso acontece porque não existem pessoas nessas empresas capazes de detectar e evitar tais erros. Uma pena. Mas as empresas não se interessam, por exemplo, em oferecer benefícios para que bons profissionais sejam contratados. Na verdade, o grande erro está aí. Querer economizar onde a excelência deveria vir em primeiro lugar.
Em tempo, a camiseta da foto é da coleção “Junior Gaultier” do início da década de 90. Bons tempos aqueles…
Sofri bullying como toda criança. Quando elas aprendem a ser pequenos adultos, as crianças começam a ser bem cruéis. Adultos estragam crianças. Para tentar diminuir o bullying, é preciso reeducar os pais. Eu tinha uns 10 anos e era muito pequeno, voz fina de menino. Os garotos gostavam de caçoar de mim. Uma tia, muito parecida com a Dilma Rousseff, descobriu isso e foi tirar satisfações com a turma. Eles pararam. Passei a me defender através dela. Eu era pequeno e infantil, mas não era bobo. Cresci um pouco mais, porém a voz ainda muito fina, sofri alguns infortúnios por isso, mas nada que realmente me abalasse. Eu criei um mundo só pra mim onde apenas quem eu permitia podia entrar. Não virei antissocial, nada disso, mas não me importava nem um pouco em brincar sozinho do que ser obrigado a uivar com os próprios lobos que sentiam prazer em botar medo em mim. Sozinho, cada vez mais protegido pela minha imaginação, fui sobrevivendo. Muitas vezes o silêncio era minha arma mais poderosa. Muitas outras vezes, minhas pernas. Adquiri o hábito de andar rápido também. De prestar muita atenção à minha volta em qualquer lugar. A prestar mais atenção ainda nas reações das outras pessoas.
Sim, por que alguns amigos eram afeminados, bastando-se olhar pra eles, eu passei por coiós e até pedradas na cabeça por andar com eles. Mas de repente, eu cresci, fiquei com 1.80 m e voz grossa. Passei a trabalhar e ter meu próprio dinheiro. Os outros passaram a me respeitar porque daquela hora em diante, era isso que eu queria, já que era isso que eu dava: respeito. E muita gente tem até um certo temor de mim.
Agora, lobo sou eu.
Chega até a ser indiscrição falar de elegância. É algo natural, nasce-se com ela. Do contrário, todos os textos são cheios de lugares-comuns e clichês de listas de certo e errado. Muito grosseiro. Tentando evitar isso, para se ser elegante quanto a roupas, poderia dizer que se pode aprender estudando grandes personagens da história da moda e se informando. Informação é importante. Não seguir tendências porque ricos estão usando. Não é preciso ter muito dinheiro para se vestir bem. É preciso ter senso próprio. Dona Canô, mãe de Caetano, é uma mulher simples, porém extremamente requintada. Paulinho da Viola é outro exemplo. Ser discreto, em tempos de “sex tapes” e “xingar muito no Twitter” chega a ser ainda mais raro. Não é necessário ser magro, conheço muita gente gorda que é sim, muito elegante. Vânia Toledo está longe de ter um corpo escultural, mas é tão chique! A questão é que elegância precisa ser o que é de verdade, sutil. Ter trato até pra se falar nela.
Pra manter a leveza do tema, paro por aqui. Ainda que isso soe deselegante.