“I love the ground on where he stands.”
Amo Nina Simone. Era difícil, de personalidade forte, perturbada, briguenta, avarenta, pagava mal seus músicos. Talvez por isso o moçoilo de manga japonesa se levanta com desdém depois de ter que ajustar o banco, enquanto ela já havia começado a tocar, no vídeo. Eu continuo amando-a. Consigo compreender todo o peso e tristeza que ela tentava explicar pela música. É por causa dessa dor, de vários sobrenomes, que ela gravou as canções mais tocantes que conheço. Ela discutia com todo mundo, pelo bem e pelo mal. Estava viva.
Queria estar certa pelos modos tortos.
Nina foi muito maltratada por um mundo que, em sua época, não queria negras no palco, mas na faxina. Ela faxinou o mundo de volta, com bipolaridade, megalomania e ataques de agressividade. Em um concerto de 1978, no Royal Albert Hall, em Londres, Nina Simone confessou a uma plateia atônita: “Talento é um fardo, não é uma alegria. Eu não sou deste planeta. Não faço parte da sua espécie, não sou como vocês”. No meio de todos os muitos e graves problemas que enfrentou durante a vida, com os outros e, principalmente, consigo mesma, é bem provável que sua força e sua beleza ao cantar e tocar vinha de todos esses sentimentos conturbados que ela carregava. De todos os defeitos nasciam sua força e seu desejo de amar e ser amada de volta, sem revolta. Conheci a música de Nina Simone no filme “A Assassina”, de 1993, que revi dia desses. E o J.P. é a cara do estagiário, que eu não estou mais vendo. Olha, pode ser que eu goste tanto de Nina por me parecer muito mais com ela do que poderia imaginar. De onde ela tirava sua força, penso eu, é de onde eu tiro também.
Amém, Nina. Amém.
(Source: morethanalittlelost)